segunda-feira, 13 de abril de 2026

O espelho de K

Você teria se apaixonado
Há exatos 20 anos.
Mas nessa época...
Eu não saberia que era capaz de me apaixonar por ti.
Você me faz retornar à vida uma Maria Luísa que achei nem ter existido
Você teria amado as horas debruçada, me ouvindo no piano
Eu teria coragem o suficiente 
(energia)
Para explorar meu ego
Me moldar aos seus desejos
Pra te ver, aos poucos, sumir
E ao sumir
Eu te faria eterna aqui...
Mas meus textos eram ruins
E jamais contemplariam você como você é 
Ao mesmo tempo que meus textos cresceram
É lugar, espaço...
Falta em você o que os preencha
Se antes meus poemas não te vestiam 
Hoje você não cabe em poema
Sobra...
Acho que quero brincar.
Porque me é roubada, constantemente, a espontaneidade 
A constância
A confiança
O controle...
Você teria se apaixonado há não exatos 20 anos atrás...
Eu deveria ter.
Sobro...

domingo, 12 de abril de 2026

Me senti vendo uma de minhas criações 
Ali
Concreta
Real
Você me falou coisas, mas eu não ouvi
Não pelo som de música alto 
Eu estava ocupada ouvindo o balançar do vinho da taça nos seus dedos
Os anéis pareciam gostar de dançar por entre esse balançar 
Me balancei em seus lábios
Me segurando pra não perguntar se podia me perder ali
- Falta isso por aqui, eu gosto de São Paulo por causa disso
- Ah sim, ainda mais sabendo das teorias da conspiração da cidade subterrânea 
- Sério?
- Sim
- Nunca ouvi, pega, bebe mais 
Aceitei o vinho, desejando que fosse você 
Por ironia do destino, tocaram freneticamente o sino do bar.
Como num despertar, voce se levantou e foi.
Eu permaneci ali, ainda por um tempo a mais.
Deixando queimar o cigarro que dividimos
Guardando cada particula de cheiro do seu perfume.

sábado, 26 de julho de 2025

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

se eu escrever vc hoje, será só tristeza

Olhei pelo retrovisor e havia um pôr do sol lindo nele
Dourado
Dourado mesmo
Feito as pinceladas de ouro em uma tela azulamente lilás 
Olhei para frente e um céu escuro de nuvens carregadas.
Me perguntei...
Por quanto tempo e inúmeras vezes... permanecemos na tempestade, buscando reflexos dourados já vividos.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Moço, a onda vai levar eu

Foi-se em tanto choro que minha cara virou mar.
Logo eu que sempre tive medo dessas coisas aí...
De profundezas 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

hmmm

Esse blog virou um diário de coisas aleatórias 
Eu escrevo em verso pra ficar mais elegante
Me pergunto como será pra alguém que não mora em mim entender o que escrevo 
Fiz as unhas hoje, tenho tido essa rotina de todo mês fazer elas (em uma profissional)
Passei umas horas ontem pintando e cuidando do meu cabelo (sozinha)
Eu redescubro todos os dias algo que sempre soube
O quanto eu amava meu quarto na casa dos meus pais.
Confesso sentir falta de não ter uma vida social 
Não sinto falta de ter que ir na igreja 
Mas sinto falta em ouvir músicas que eu sabia que cantava muito bem.
Recebemos o diagnóstico de TEA recentemente querido Blogspot
Talvez não seja nenhuma surpresa pra você...
Nem pra mim.
Amo chopp (estou bebendo um nesse exato momento)
Sentada numa cadeira do shopping de pinda, ouvindo lulu santos cantar distantemente em uma lojinha qualquer.
Sempre achei que as pessoas conversavam berrando em lugar público
Agora sei que é só minha hipersensibilidade sonora
Saber não muda nada
Ao mesmo tempo que muda tudo
Sei lá
Vai ver eu nunca estive cansada de mim ou de viver
Só de ter que lidar com coisas que não deveriam ser tão enormes.

sábado, 28 de setembro de 2024

sempre igual

Eu quero ir embora
Esse sentimento concreto 
Se você esticar os dedos
Você vai sentir 
Mas não toque em mim, por favor
Estou naquela fase buraco negro
Não quero te sugar pra esse vazio 

Sempre diferente 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

hmmm

Eu sempre tenho essa crença de que não me sentiria assim novamente
Mas a sensação veio
Te observo
Fico ansiosa pra ter qualquer oportunidade pra falar de ti ou contigo
Você se apaixonaria fácil por mim
Mas há também aquela crença repetida de que não faço seu tipo 
Todos como você que passaram por aqui me chamaram pelo menos nome
Me trataram igualmente como num vale de estranhezas 
Mas você não é eles
Não será uma repetição de ciclos
(Vejo bem isso)
Mas obrigada 
Tem me impulsionado a ficar feliz aos sábados 
.
.
.
.
.
Eu amei seus vídeos de aranhas

terça-feira, 16 de julho de 2024

Alicia

Eu não sei
Não sei porque me preocupo tanto com números, se eu nem gosto que saibam de mim
Se em minhas crises só quem está lá é uma ponta e meus cachorros
Nem as plantas estão lá sempre
Negligência tem sido meu sobrenome 
Em tudo
Eu não sei
Ando com aquela sensação estranha de novo de invisibilidade 
Inexistência 
Mas não daquela gostosa, de ficar em um ônibus espiando a rotina alheia
Aquela agoniante
De fantasma da própria existência.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

melancolia

Eu desisto de resistir
Te permito vir
Volte 
Eu me entrego a você 
Não senti sua falta
Mas já que deseja voltar
Fique
Encontre abrigo aqui
Fiquei por quanto tempo achar necessário...
Eu me permito entristecer 
Está tudo bem não estar nada bem...
Nós vamos conseguir dividir essa casa mais uma vez 
Eu sei que vamos 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

airam

É um misto de paranóias com traumas
O sentimento de quase perda
A quase perda da realidade
A quase perda por não saber ser boa de verdade
(A rima barata aqui permanece)
É um misto de muitos quase em quase tudo
O tudo sempre quase
Nunca concluso
É um misto de paranóias com traumas
O sentimento de quase perda
A quase perda da realidade
A quase perda por só saber ser verdade
É um misto de muitos quase em quase tudo
O tudo sempre quase
Sempre concluso
Eu odeio me sentir insuficiente assim...
Eu odeio me sentir insuficiente em mim...
É um misto de quase 
De paranóias
É um misto de vazio sem fim




- Não, isso não é vazio, é tristeza.

segunda-feira, 27 de março de 2023

AA (a famosa ressaca moral)

Um lixo, eu me sinto um lixo
Não sei se é auto sabotagem
Ou
Falta de vergonha na cara
Mas eu me sinto uma bosta
Eu odeio me sentir assim

Um lixo deve se sentir melhor do que eu 

Odeio não lembrar

Perder o controle e saber que sou a única culpada por ter me colocado lá 

Odeio sentir culpa

Odeio essas merdas de paranóias

Odeio me odiar

Que vontade de sumir...

Mas tenho que ficar e enfrentar tudo como a adulta que sou, em contra partida com a adulta que não fui

Merda


segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Sobre amor, gratidão e acolhimento

Cheguei na casa de meus pais em lágrimas, tremendo, com uma mala e mochila.
Minha mãe me abraçou, meu pai perguntou o que houve e eu disse "não foi nada grave, posso dormir aqui hoje?"
Minha sobrinha veio com o neném de dois anos dela me abraçar, entrei na casa deles, comemos uma pizza, bebi água babada do meu sobrinho e brinquei a noite toda com ele.
Cortei o cabelo da minha mãe e minha sobrinha, fingi cortar o do meu sobrinho porque ele quis participar.
Discuti sobre o decaimento da qualidade das séries de ficção científica com meu pai e teorias de conspiração, como as aparições recentes de possíveis ovinis.
Durante a noite, minha família e eu, fizemos piadas com manifestantes sem noção, criticamos o último jogo do Brasil, avaliamos a qualidade da pizza, colocamos mais pisca pisca na varanda (porque eles viram que um vizinho tinha aumentado a quantidade e queriam deixar a casa mais brilhante também). Descobri que esqueci de mandar feliz aniversário pro meu cunhado, mas comi o bolo que minha irmã havia feito para ele na semana passada, ainda estava muito bom.
Minha mãe arrumou um colchão pra mim no meu antigo quarto.
Nenhuma pergunta foi feita, nenhuma lágrima mais caiu enquanto estive lá.
Me curei um pouquinho, só de estar perto deles. Só que a vida adulta requer movimento, e eu fui chutada novamente para minha realidade...
No entanto, hoje quis materializar o ontem aqui, pelo menos um espectro dele.
Porque, como diria uma antiga canção, que eu cresci ouvindo nessa mesma casa que passei a pernoite "se isso não for amor, o céu não é real, não há estrelas no céu, as andorinhas não voam mais..."

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Odeio que roubem minha espontaneidade
Odeio me permitir me importar tanto com vocês
Odeio quando eu tenho certeza do que sou e me fazem duvidar da certeza que tinha
Odeio essa sina
Odeio esse gasto de energia
Odeio não me controlar
Odeio me anular
Odeio o medo que me causam
A parte de mim que roubaram
Odeio quem sou quando odeio vocês
Odeio esse não encerramento de ciclo
Odeio onde o ciclo tem afinco
Odeio não ser capaz de me mover
Odeio que me roubem de mim
Odeio a mim, por me permitir isso aqui.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

pUTa

Com cinco anos
O que uma criança já sabe fazer?
Ela já é capaz de sentir empatia
De pedir perdão
De se abrir para novas possibilidades
De dizer onde machuca
Pedir perdão quando machuca (ainda que só por obediência)
Quantos anos você tem mesmo?
Estou exausta de reconsiderar 
Que se foda a saudade
A labilidade de tentar dialogar
Eu fujo e você não tenta me segurar 
Cinco anos de relação e ainda não aprendeu a ouvir
Muito menos falar
Com cinco anos 
O que alguém que diz amar já sabe fazer?
Qual a sua capacidade de se relacionar?
Você me faz sentir saudade de mim
Isso não deve estar certo...

sábado, 27 de agosto de 2022

Le silence

Barulho...
Aguentar em silêncio é difícil
O calar dói
Machuca
Dilacera
E nem quero pensar nas sequelas que isso tudo vai deixar
Silêncio
Em meio a tanto barulho
Como o pai que sempre fui e estive em ausência em mim
O calar te faz ouvir apenas sua própria voz
E minha voz não é muito gentil comigo na maior parte das vezes
Barulho
Barulho e caos
E o silêncio
O silêncio que me obrigo a fazer diariamente
Como a prece de uma mãe em luto
Que não deseja mais ser mãe 
Nem lutar
Silêncio.
Como súplica
Como uma prece para ter mais fé
Sem expectativas
Apenas um minuto por vez
Barulhos...
Silêncio.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Nada é líquido querido Bauman, na verdade, é tudo muito sólido aqui.


tão sólido, rígido e fundo


que me faz sonhar com a utópica alienação líquida


o promissor consumismo não consciente


e o distanciamento do ato social


nada


é 


líquido


a não ser as lágrimas reais


de pessoas reais


Que solidificantemente tento, em vão, "liquidar"...


(com alienados agrados e band aids de auxílios governamentais)


Ser alienado é um privilégio no qual nem mesmo isso os em miséria podem ter o luxo de viver

Nada é líquido aqui, é tudo muito sólido. 

E se a singelez da margarida for melhor que a sedução da rosa? (Frase Rodrigo; Desenho Maria Luiza

E se a singelez da margarida for melhor que a sedução da rosa? (Frase Rodrigo; Desenho Maria Luiza
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