domingo, 12 de fevereiro de 2017

A árvore de Alicia


- Sonhei com isso. A árvore, você... Eu
- Não vai cantar pra mim?
- Depende, será que merece?
- Talvez depois de um beijo?
E assim ele a puxou
Foi lento
Suculento
Bom
Ela sorria enquanto o via a desejando
Ele?
Não se sabe
Talvez nunca saberá
E na verdade nem queria saber
(em alguns momentos a ignorância é uma dádiva)
Nao importava
Ela queria mais
Mas
Jamais diria
"Me pede pra ficar"
Ela queria dizer
Nada disse
E então cantou uma melodia doce, triste, muito saudosa...
Mal sabia ela que havia transformado sua musica preferida em um poço de saudade e incertezas
Tempos depois, não cantaria nunca mais aquela canção
Alicia de forma cruel compreendeu:
"O que acaba com a gente nem é o ponto final, não são os três pontinhos. O que acaba com a gente é aquela sensação de que poderia aquele pontinho de interrogação ter sido uma bela exclamação..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017


o mundo precisa de mais amor
so que não nos ensinaram a amar...

Luto


"a vida é um sopro"
Não
A vida é uma sucção
Que a todo momento te suga
Tira de si as forças
Até você sugar algo
E quando se sentir satisfeito
Roubam de ti aquilo que você ainda estava prestes a conhecer
(os antigos chamavam isso de felicidade)
Palavra tão doce que a língua dança na boca quando a fala "fe li ci da de"
Se a vida é um sopro?
Já disse que não...
Sopro mesmo é a morte
Que assopra pra longe de ti
Tudo o que lhe fazia bem...
Ou talvez...
Talvez a vida seja mesmo um sopro!
Daqueles bem forte
Que te avoa para o tão indesejável fim
(para alguns nem tão indesejável assim)
A verdade é que você veio e se foi
E eu me sinto aqui
Sem saber como rotular
E afinal a gente nunca sabe definir, né?
Que diachos é essa merda aqui
Eu sinto que la no fundo algo tem...
Mesmo que na superfície não se possa ver ninguém
E pago bem aquém
Conseguir de mim isso tirar
E antes que brote
Cresça e floresça
Eu quero abortar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Já perdi muitas pessoas nessa vida
As primeiras perdas me mataram, e a cada uma que se ia a dor relativamente diminuía
Não porque as amei menos, mas aos poucos aprendemos a dosar a dependência social
Muitas pessoas me julgam falsa, talvez por ser sempre educada e polida.
Apenas quero tentar manter elas bem enquanto estiverem aqui, porque elas sempre precisam um dia parir
Nascer novamente em outro jardim...
Sempre me consolei com a ideia de que os bons e verdadeiros permanecem
Começo a me acostumar com o fato de que a única a permanecer serei eu
E solidão não se torna tão dolorida assim
Quando crio em mim
Um refugio
Meu próprio jardim

terça-feira, 14 de junho de 2016


Minha caneta viciou em você
Minha melodia só dança você
E nada aceita que eu mude o tom
Agora que descobri o que é bom
E mesmo nada mais me mantendo aqui
Nao sei o porque minha alma insiste em investir
Em algo que nem mais quer
Receber o afeto que de meu desejo és
E já inventei um mundo onde nós poderíamos existir...
Mas sei que esse dia nem irá vir...
E então tudo bagunça aqui
E me perco nas folhas em que te descrevi...
E nem final posso ter
Nem esses versos posso concluir
Porque nao pode ter fim o que começo nunca teve a coexistir.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sentiu-se nua
Quando os mais belos olhos que já conhecera
Decidiram pousar em suas humildes escritas
Sorriu
Pois sentiu na alma
Uma brisa suave
Uma expectativa de euforia e medo
Medo de que sua nudez assustasse
Os belos olhos que tanto a encantava

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Airam e a historia do seu povo que mais amava

Jaci deusa do luar
Alguns a chamam apenas de lua
Vinha sempre com sua dança beijar
A face de suas virgens indias nuas
Para que elas estrelas sua viessem a se tornar
Mas veja porque tão bela era
Naiá foi-se apaixonar
Queria ser de Jaci, amor, companheira, par.
Queria ser a estrela mais bela da qual a deusa pudesse se orgulhar.
Não ouvira os conselhos
Dos sábios que lhe insistiam em dizer
"abandona esses pensamentos, ao acaso não temes morrer?"
Mas a bela de cabelos negros, como o manto que sustentava o céu, mal conseguia viver em paz.
Queria tocar Jaci
Queria sempre mais
E então um dia após muito chorar
Deleitou-se na beira do lago
À deusa pôs-se a esperar
Viu nas águas o reflexo de sua deusa
E foi-se dançar para uma dança sem fim.
Mas quem beijou-lhe foi a morte e não sua deusa Jaci
A lua comovida de paixão e amor decidiu a vitória régia criar.
Naiá era estrela da água
Naiá agora sempre tinha
O abraço quente do luar

E se a singelez da margarida for melhor que a sedução da rosa? (Frase Rodrigo; Desenho Maria Luiza

E se a singelez da margarida for melhor que a sedução da rosa? (Frase Rodrigo; Desenho Maria Luiza
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